A Palavra de hoje nos revela o rosto misericordioso e justo de Deus. Por meio do profeta Ezequiel, o Senhor deixa claro que não tem prazer na morte do ímpio, mas deseja que ele se converta e viva. Deus não é um juiz que espera a queda para condenar; Ele é Pai que espera a mudança para salvar. Cada pessoa é responsável por suas escolhas, e a conversão é sempre possível. O passado não aprisiona quem decide, com sinceridade, mudar de vida. Ao mesmo tempo, a fidelidade precisa ser perseverante: não basta ter sido justo ontem, é preciso permanecer no caminho hoje.
O Salmo ecoa essa confiança humilde: “Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir?” Todos somos necessitados de misericórdia. Nossa esperança não está em nossa perfeição, mas no perdão abundante do Senhor.
No Evangelho, Jesus aprofunda o sentido da justiça. Não se trata apenas de evitar o mal exterior, mas de purificar o coração. A raiva, o desprezo, a ofensa e a falta de reconciliação também ferem e matam. Por isso, antes de apresentar a oferta no altar, é preciso reconciliar-se com o irmão. Deus não acolhe plenamente uma oração que nasce de um coração fechado ao perdão. A verdadeira justiça do Reino é aquela que restaura relações, cura feridas e reconstrói a comunhão.
Nesta Quaresma, somos convidados a um exame sincero: há alguém com quem preciso reconciliar-me? Carrego mágoas antigas? Tenho adiado pedidos de perdão? Deus deseja que vivamos — e viver, segundo o Evangelho, é amar e reconciliar-se. A misericórdia que recebemos deve tornar-se misericórdia oferecida.
Deus nos abençoe e nos guarde!
Seminsrista Mirosmar Gonçalves