Diante da Liturgia da Palavra de hoje, somos convidados a contemplar a bondade de Deus, que nos consola e acolhe mesmo quando menos merecemos a sua atenção. Em sua infinita misericórdia, o Senhor nos inspira a reconhecer a nossa fragilidade e a proclamar: “Se levardes em conta, Senhor, nossas faltas, quem haverá de subsistir?” O coração misericordioso de Deus se compadece da humanidade ferida pelo pecado e, por isso, toda a história da salvação nos revela um Deus que estabelece uma aliança com seu povo e permanece fiel até o fim, apesar das infidelidades humanas.
O Senhor escolheu um povo, mas seu coração transborda de amor por toda a humanidade. Por isso, prepara para todos os povos um banquete de ricas iguarias, acompanhado de vinho fino. Nesse banquete, a grande promessa divina é eliminar para sempre a morte, enxugar as lágrimas de todas as faces e pôr fim à desonra de seu povo. Essa imagem do banquete revela o desejo de Deus de reunir todos os seus filhos em uma comunhão definitiva de amor, na qual a dor, o sofrimento e a morte não terão a última palavra.
Jesus, por sua vez, apresenta essa realidade por meio da imagem das núpcias, a festa de casamento que o Pai deseja realizar entre seu Filho, Jesus, o Messias e Noivo, e toda a humanidade, chamada a ser sua esposa, discípula e seguidora. O primeiro convite é dirigido ao povo de Israel, herdeiro das promessas da aliança. Diante da recusa de alguns convidados, porém, o convite se estende a todos os povos, reunindo aqueles que são encontrados pelo caminho, maus e bons. O rei, imagem do Pai celeste, não deseja excluir ninguém de sua festa; ao contrário, quer que todos participem da alegria de seu Reino.
Há, contudo, uma exigência: acolher o convite e apresentar-se com o traje adequado para a festa. Não basta, portanto, receber o chamado de Deus; é preciso permitir que esse encontro transforme a nossa vida. Jesus, o Noivo-Messias, convida-nos a revestir o coração com o traje da conversão, do amor e da fidelidade. Para isso, o melhor caminho é cultivar em nós os mesmos sentimentos que havia em seu sacratíssimo coração, tornando nossa vida um testemunho concreto da misericórdia que recebemos do Senhor.
O apóstolo Paulo, por sua vez, deixa-se encantar de tal maneira por Cristo que faz dele o centro de sua existência. Jesus se torna seu maior tesouro, a razão de sua esperança e a força que o sustenta em todas as circunstâncias. Por isso, o apóstolo pode afirmar com confiança: “Tudo posso naquele que me dá força!” (Fl 4,13). Tendo Cristo como fundamento de sua vida, Paulo aprendeu o segredo de viver em qualquer situação: estando saciado ou passando fome, tendo de sobra ou sofrendo necessidade. Sua força não vinha das circunstâncias favoráveis, mas da certeza de que o Senhor permanecia com ele.
Que também nós, ao acolhermos o convite do Senhor para participar de seu banquete, saibamos revestir-nos dos sentimentos de Cristo e fazer de nossa vida uma resposta concreta ao seu amor. Que não nos falte a disposição de conversão para estarmos sempre preparados para o encontro com o Noivo, nem a confiança necessária para permanecermos fiéis, mesmo diante das dificuldades. Afinal, o Senhor nos chama a participar de sua festa e nos oferece, em seu Filho, a força necessária para percorrermos o caminho que nos conduz à vida plena.
Seminarista Rômulo Ribeiro